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Entrevista na revista.jfreguesia

O presidente da Junta de Freguesia de Chave, José Fevereiro, foi o escolhido para a entrevista do número um da revista.jfreguesia, um magazine do portal jfreguesia com a actualidade das freguesias portuguesas. A escolha do autarca teve por base o desenvolver das obras do pólo escolar de Chave, que estão no término da fase de pedreiro. Esta intervenção é a maior de sempre em Chave, freguesia onde José Fevereiro, presidente da Junta, obteve um dos resultados mais expressivos nas últimas autárquicas (talvez o mais expressivo em freguesias com pelo menos duas listas a concurso), triunfando com 86,75 por cento dos votos, contra os 10 por cento do candidato do PS. Fica, de seguida, a entrevista na íntegra.

 

Como candidato pelo PSD, somou um total de 857 votos, assegurando oito dos nove mandatos, enquanto o opositor juntou 99 votos. Ficou surpreendido com uma diferença tão expressiva?
De alguma forma. Sinceramente que esperava uma vitória na ordem dos 80 por cento, mas não contava com uma vitória tão esmagadora. Foi o reconhecimento do trabalho desenvolvido, da proximidade com as pessoas e também da qualidade da lista em si.

Que trabalho desenvolvido foi esse?
Dar continuidade a trabalhos que estavam em curso, não descurando qualquer deles. Por outro lado, houve sempre a defesa dos interesses da freguesia, nomeadamente em obras de grande necessidade e maior envergadura, como o pólo escolar (a maior obra de sempre na freguesia), os melhoramentos na zona industrial e a rede de água que foi superior a 50 por cento em quatro anos de investimento. Faltam, neste momento, dois ou três lugares; quando eu entrei, havia dois ou três lugares que tinham água. Neste momento, nas obras de melhoramento da EN224 para os lugares de Bouça e de Chão de Ave estão a ser criadas as infra-estruturas de saneamento e abastecimento de água. Houve também melhoramentos em lugares que estavam esquecidos há anos, como Regada, Quintela, Areeiro, de alguma forma Soutelo e Chave. Foi a ampliação da rede eléctrica, nunca houve tanta quantidade de luminárias num só mandato.

Como foi possível do ponto de vista orçamental?
Contámos com alguma disponibilidade financeira, fruto duma herança do dr. Tavares de Almeida, um legado deixado à Santa Casa, à Câmara e à Junta de Freguesia. Dessa herança obtivemos, líquidos, sensivelmente 50 mil euros da venda de árvores.

O pólo escolar de Chave é a maior obra de sempre a que nível?
A todos os níveis. A nível monetário, poderá atingir os dois milhões de euros. A nível da satisfação das pessoas, pode captar sinergias para Chave, pois vai também servir alguns lugares de freguesias limítrofes, o que nos permite desenvolver a freguesia. Infelizmente, as coisas têm que ser analisadas pelas influências e uma freguesia não pode desenvolver-se sem condições para oferecer às pessoas. Chave tem condições de trabalho, nomeadamente a maior zona industrial do concelho de Arouca, tem condições de educação, disponibilizando meios a quem se encontra a trabalhar para que os filhos possam estar num lugar seguro e com qualidade educacional e de preparação para a vida. Quanto a condições de saúde, estamos um bocado privados, pois temos um bom posto que de momento não tem médico. O pólo escolar obriga, por si só, a instalar ou prolongar outras estruturas, que vão servir de alavanca para infra-estruturas de saneamento e de água, por exemplo. É uma obra de que todos os flavienses podem e devem orgulhar-se.

Abordou alguns melhoramentos em zonas esquecidas…
Posso dar exemplos. O lugar de Quintela, que outrora foi o maior da freguesia, não tinha um único metro de rede de água e encontra-se completamente coberto pelo abastecimento público. Não tinha uma estrada de acesso ao fundo de lugar, que foi difícil mas concretizou-se, permitindo o crescimento para a única zona possível. Não tinha caminhos pavimentados, nem contentor do lixo, a paragem de autocarro estava desajustada... O lugar da Regada não tinha um metro de rede de água, está completamente abastecido, 2900 metros de comprido. Não havia um metro de alcatrão, o acesso ao interior era deprimente, nem passava um camião e neste momento cruzam-se dois. Foi aberta a ligação entre Soutelo, Regada e Ponte da Sela que, por si só, é a estrada maior feita na freguesia. No Areeiro, o abastecimento de água era por um cano no ar, com estragos permanentes. Foi feito o rasgo da estrada até à Côto Cavadinha, no caminho das Presas não havia água, tem água e caminho pavimentado. A própria igreja e o cemitério não tinham água, usavam uma fonte quase particular. A capela mortuária e o centro social também não tinham água, neste momento até há uma boca-de-incêndio cumprindo as normas. O lugar do Casal foi completamento coberto pelo abastecimento de água. O caminho da Divisa foi pavimentado e alargado, na Bouça foram pavimentados caminhos internos e alargada uma curva que não tinha visibilidade. Na Regada, esqueci-me, não havia um contentor do lixo, quando entrei tirei camiões de lixo de zonas limítrofes. As pessoas não tinham sequer uma paragem de autocarro. Em Chave foi ampliada rede de água na Fraga, no Norte, na aldeia, na Pedra Pequena, entre outros. Foi pavimentado o largo de Campelo e melhorados os acessos.
No cuidado com o erário público, orgulho-me de, nestes quatro anos, não ter havido conflitos, o apropriar do domínio público, nomeadamente dos baldios. Cumpriu-se a promessa de defender o que era da Junta. As pessoas têm colaborado, é preciso dizer a verdade. Por si só, as pessoas colaboram, se sentirem que há igualdade de tratamento e que na Junta está uma entidade amiga e companheira na defesa dos interesses da freguesia. Salvo uma ou outra excepção muito rara, sempre que a Junta pediu a particulares para alargar ou fazer uma obra as pessoas sempre colaboraram. Eu acredito que as pessoas estão contentes, porque a freguesia era conflituosa e dividida e tem demonstrado uma união invulgar.

A rede de água não é competência da Câmara?
Temos que entender que, se estivermos à espera que a Câmara por si só faça tudo, certamente que o que se pode fazer em quatro anos demorará 20. Sou um bom aluno e quando entrei para as Assembleias Municipais fui contactando com presidentes de Junta mais experientes, que ocupavam os cargos há mais tempo, de freguesias também com dinamismo muito grande. Fui aprendendo que só é possível realizar tão vasta ampliação da rede de água por força da cooperação da Junta de Freguesia. Gastámos muito dinheiro, mas “obrigámos” a Câmara a acompanhar-nos, seria um contra-senso o município não colaborar dado que havia um esforço repartido. Reconheço, contudo, que são competências da Câmara, mas não estou arrependido do que foi feito, senão as pessoas de muitos lugares desta freguesia estariam privadas de uma simples casa de banho condigna. É o mais deprimente que há nos dias de hoje, querer tomar banho e não ter essa possibilidade.

A nível viário, que intervenções são necessárias?

Seria muito importante haver melhorias na estrada de ligação a Carregosa, a EN224-1 (pois permitiria à zona industrial um fácil acesso à A32), na via dos lentos para Arouca (EN224) e na estrada da Costa. Esta última é municipal e de enorme fluxo, tirando os camiões é, sem dúvida, a mais utilizada pelas pessoas do vale de Arouca. Neste momento, a EN224 está a ser alvo de melhoramentos, mas a via dos lentos não foi contemplada, foi-nos dito que o fluxo de trânsito não o justificava. No entanto, considero-a de extrema importância por ser utilizada por muitos camiões relacionados com a exploração florestal, que em muitos momentos perturbam a normal circulação. Quanto à Carregosa, foi feito um estudo para um melhoramento, mas parece que ficou na gaveta. Segundo sei, havia já um projecto idêntico ao da EN224 para a EN224-1, o que seria importante, pois somos atravessados na zona da Farrapa e Chão de Ave pela EN224-1. São zonas que têm ganho um dinamismo comercial importante, com padaria, cafés, restaurante, pessoas que se deslocam à farmácia… Acredito que as pessoas, no desempenho dos cargos, não se vão esquecer das zonas que mais crescem, como é o caso da nossa freguesia. Por muito que os mais cépticos eventualmente coloquem dúvidas, Chave está condenada a desenvolver-se.

Que obras do anterior mandato são para continuar?
A nível de infra-estruturas viárias são poucas, porque temos que ser responsáveis no exercício das nossas funções. Tendo a noção de que os meios cada vez são menos, salvo uma ou outra situação de extrema necessidade, a rede viária será pouco aumentada. Haverá melhorias em alguns troços, claro. Temos já em execução o aproveitamento do maior baldio da Junta de Freguesia, o Cotos de Chave, uma área superior a 100 mil metros quadrados. É uma área que não é profícua, apesar de tão grande não é rentável, não tem caminhos nem cria madeira. Temos um projecto para construção de uma pequena zona desportiva, com um campo de futebol de cinco e um circuito de manutenção e a regularização do piso para disponibilizar à Câmara para possível construção social, à imagem do que se verifica em Escariz e Arouca. Tendo nós um espaço tão vasto para rentabilizar, se fôssemos uma entidade particular certamente que o faríamos, pelo que temos de ter responsabilidade e gerir a Junta em função dos meios, tentando tirar o máximo de rendimento daquilo que temos. Além disto, temos que apostar também na melhoria dos pavimentos, nomeadamente com a colocação de betuminoso em alguns sítios.

Voltando à parte política, foi eleito com quase 90 por cento pelo PSD, partido que a nível de concelho teve um fraco resultado. Como explica essa discrepância?
Foi o pior resultado de sempre do partido. Há dois ou três factores importantes, analisando de forma imparcial e abstraindo da cor política. Tentando abstrair-me, diria que o executivo camarário teve um desempenho que as pessoas gostaram e reconheceram, o que dificultou às oposições mostrarem um trabalho mais eficaz. Também já se vem notando há alguns anos que o PSD de Arouca se tem afastado, pouco a pouco, dos arouquenses, embora acredite que isso se vá inverter com o tempo. As estratégias políticas e os candidatos devem ser escolhidos com uma antecedência temporal suficientemente larga para que as pessoas adiram e se identifiquem. Acho também que o partido deve abrir-se mais à comunidade arouquense, comunicar com as pessoas. Os políticos, cada vez mais, têm que sair do gabinete. Os políticos são empregados das pessoas, das populações e enquanto algumas pessoas que lideram os partidos entenderem que as pessoas é que são empregados deles isso não funciona. Quando o PSD entender que deve interagir mais com a população, dar mais a cara… Um partido não pode estar fechado ao que o rodeia. Também é muito grave que as pessoas que lideram as comissões políticas sejam os candidatos à câmara, considero-o inaceitável. Eticamente falando, não concordo, de forma alguma, que ao escolhermos uma comissão política já estejamos a escolher o candidato à câmara. Cria logo uma guerra interna que é má para os partidos. O candidato à câmara não devia pertencer às equipas que lideram uma comissão política.

Sente, após um resultado pessoal tão elevado, alguma responsabilidade quanto ao rumo do PSD no concelho de Arouca?
Sendo eu um jovem em idade e velho militante do PSD, com o resultado que tive e a ambição normal de quem ocupa cargos políticos, sinto que tenho alguma responsabilidade, mas também tenho noção que em política, por vezes, não é preciso competência. Por vezes, é inimiga do nosso crescimento político, pois incomoda quem não a tem e, de forma maquiavélica, vai ocupando os cargos. Não estou a dizer que seja o caso actual, mas que é um facto é. Sinto que tenho alguma responsabilidade e estarei sempre disponível para colaborar num projecto que cumpra os requisitos enumerados atrás: que englobe pessoas disponíveis para interagir em todos os momentos e não só em época eleitoral. Gostaria de participar num projecto que fosse diferente dos últimos, mais do mesmo é muito mau, é quase como vejo a nível nacional e me incomoda imenso. Apesar do fraco resultado obtido nas eleições, perante as expectativas e o fraco desempenho do Governo, vejo que nada foi feito. As pessoas não assumem responsabilidades, eu teria vergonha de, com um resultado mau, continuar no poder. Não é ético manter-se à força, ocupar um cargo para o qual as pessoas não entenderam que estavam capacitados. É complicado falar do futuro a nível político porque dependemos sempre dos outros. Infelizmente, para irmos a votos, temos que previamente, no interior dos partidos, ascender à possibilidade de candidatar. Preocupa-me mais a ascensão interna, vejo-a com mais dificuldade do que propriamente interagir com as pessoas. Gosto de dialogar, de ouvir as pessoas, de aceitar conselhos e só assim é que conseguimos chegar às boas resoluções e boas soluções. Recordo uma frase ligada à igreja, “da crítica se fez luz”, mas esta faz-se no contacto directo, na proximidade. Quando as pessoas entenderem que sou válido obviamente que colaborarei, com todo o gosto.




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